21 de maio de 2012

O resto É resto


Resolvi que não tenho mais problemas.
Eu os invento.
Portanto, nesse momento, está desinventado.
Todo e qualquer constrangimento.
Anulada qualquer culpa.
Quebrado qualquer quebranto.
Nenhuma dúvida restará.
Inválida será qualquer dor.
De agora em diante, simplesmente não entendo o que não se explica.
Não me confundem mais as palavras.
Volto a ser gente que só sente, sinceramente.

Cris Giffone
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19 de maio de 2012

9 de maio de 2012

Desvenda-me!


Desvenda-me.
Cor a cor.
Peça a peça.
Palavra a palavra.
Gesto a gesto.
Aprenderás com o tempo que sou a incógnita mais simples de todas as equações. Mas não posso mostrar-to. É algo que tens de descobrir sozinho... Às vezes é só olhar melhor, ainda que para as mesmas coisas. Trago a transparência nos olhos e tenho a alma aberta, ainda que quebrada. Por isso olha para mim. Vê-me. Descobre os meus segredos com a suavidade de um toque ou de um suspiro. Sou um enigma que só tu podes desvendar. Por isso decifra-me.
Medo a medo.
Ilusão a ilusão.
É assim que poderás chegar ao fundo da minha alma.
Passo a passo.
Sem desistires de mim, sem desistires do que pode haver nos confins do que o mundo não vê em mim. Não esperes que seja um livro aberto. Há muito nas entrelinhas do conto mal fadado com que pintei a história da minha vida. Mas podes interpretar-me. Mover-te qual personagem da história, conhecer o que ficou além do que eu própria sei. Hei-de te deixar chegar lá: ao lugar inóspito do meu coração onde nunca ninguém chegou. Hei-de te mostrar a incerteza e a dor.
Carinho a carinho.
É assim que vais derrotar a minha insegurança. Matando os silêncios, trucidando as distâncias e abraçando o meu corpo de mulher perdida.
Toque a toque.
Beijo a beijo.
O sentir insensato dos teus lábios nos meus. É assim que vais quebrar a minha muralha. É assim que vais roubar a máscara de mulher forte e conhecer a menina carente. E talvez seja aí que, incerteza a incerteza, vais criar o adeus.
Mas entende: é peça a peça, cor a cor, palavra a palavra que terás acesso ao melhor e ao pior de mim. E eu sou o que fica nessa realidade crua: o melhor e o pior. Não julgues tão facilmente! Desvenda-me. Tenho a certeza de que consegues entrar no meu mundo de sonhos, onde geralmente só eu posso vaguear. Nesse mundo vais conhecer personagens e desejos. Personagens com vida própria e desejos que guardei pela certeza inabalável de que é impossível viver de sonhos. Vais conhecer nele a fada, a bailarina, a criança. Vais conhecer nele os rios de possibilidade e o horizonte que fica ao alcance de um toque. E, nesse mundo maravilhoso, também vais palmilhar os vales da minha loucura. Porque me perdi loucamente no desejo de viver na ilusão de uma vida melhor. Podes decifrar-me.
Sentido a sentido.
Respiração a respiração.
Sopro a sopro.
Podes decifrar esse enigma que espantou universos e surpreendeu átomos. Esse ser que fez apaixonar umas pessoas e afastou outras. Seja qual for o desfecho: desvenda-me.
Cor a cor.
Peça a peça.
Palavra a palavra.
Gesto a gesto.
Decifra o que há de mais complexo em mim por entre a minha própria simplicidade. Não importa se depois fores embora, passo a passo. Só não quero que vás sem saberes quem eu sou.

Marina Ferraz
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7 de maio de 2012

For Good * Wicked


I've heard it said
That people come into our lives for a reason
Bringing something we must learn
And we are led
To those who help us most to grow
If we let them
And we help them in return
Well, I don't know if I believe that's true
But I know I'm who I am today
Because I knew you...

Who can say if I've been changed for the better?
But because I knew you
I have been changed for good

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4 de maio de 2012

Abraço, amor e carinho


Quando era criança não precisava de acreditar em algo superior para ficar feliz, mas tinha uma curiosidade imensa e uma necessidade quase física de questionar tudo e de reflectir sobre a vida, a morte, os acontecimentos, o sofrimento, as doenças, o amor, a violência. Fruto da minha rebeldia contra tudo o que era imposto ou dado por certo, interrogava-me sobre a causa da existência do bem e do mal no mundo, uma vez que Deus criou o universo à sua imagem e semelhança e nos indicou o caminho do bem. Para mim, era muito duro admitir que um ser humano era capaz de violentar, infligir dores a outro ser humano e, ainda, matá-lo, se quisesse. Até compreendia os animais por terem o instinto de sobrevivência, mas nunca consegui perceber, enquanto criança, o porquê do comportamento violento do ser humano, que, ao contrário dos animais, tem raciocínio. Mais tarde, percebi que o ser humano pode agir por conta própria e que tem a opção de fazer o bem ou o mal, investido pelo seu poder supremo - o livre arbítrio. Assim, ele pode ser tão bom quanto mau, tão elevado quanto baixo, tão generoso quanto cruel, porque a natureza: nem bom, nem mau, apenas humano.
Diz-se que o mal é a ausência do bem, assim como o frio é a ausência do calor, o escuro a ausência da luz, o ódio a ausência do amor, então, a violência seria a ausência de carinho? Acho que nunca deixarei de fazer perguntas. Apenas damos respostas a algumas que, mais tarde, acabam por originar outras, é um processo sem fim, uma busca incessante e constante. No entanto, o que importa não é necessariamente a resposta, mas a pergunta em si, a procura, os momentos, o próprio caminho. Ninguém quer chegar ao fim do caminho, nem responder a todas as perguntas, porque chegar ao fim é ficar sem propósito, sem sentido.
No outro dia imaginei como seria o nosso dia-a-dia se não existissem árvores e flores, o mar e as montanhas, o azul do céu e o pôr-do-sol. Mesmo se ainda assim a vida fosse possível, o que não se podia garantir nestas circunstâncias, ela seria desprovida de toda a harmonia que a Natureza nos possa facultar, o que é fundamental para captar as vibrações de paz e serenidade que ela nos transmite e que nos dá forças para continuar, até nos momentos mais difíceis. Quando saio do meu escritório, passo ao lado do parque Eduardo VII, em Lisboa, e aproveito para encher-me de energia, sentindo o perfume suave das flores e da relva recentemente cortada. Acredite, é uma terapia garantida para encontrar num ápice a paz, a serenidade, a quietude. Tudo está aí para a nossa harmonia e troca de energia. Reflectindo correctamente, esta seria a melhor maneira para evitar ficarmos violentos, amargos, tristes ou desiludidos. Nos momentos mais tensos, vou procurar um lugar calmo na Natureza para respirar fundo e concentrar-me em tudo aquilo que faz parte da minha vida. Já teve oportunidade de abraçar uma grande árvore com todo o carinho, como se fosse um ente querido? Se ainda não o fez, tente esta experiência única, descarregando as suas preocupações na crosta áspera da árvore e lançando, ao mesmo tempo, pensamentos positivos, cheios de amor, de gratidão e de adoração para consigo, para com a Mãe Natureza, o Universo, o mundo inteiro. Este abraço especial vai proporcionar-lhe equilíbrio no seu corpo e na sua vida, como se bebesse na fonte da Energia Universal.

Elisabeth Barnard

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