19 de maio de 2012
26 de março de 2012
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5 de março de 2012
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22 de fevereiro de 2012
12 de fevereiro de 2012
Após o final da Segunda Guerra Mundial, um aristocrata excêntrico é assassinado no seu palazzo italiano. Vinte anos mais tarde, este crime por resolver toca a vida de Alba, uma rapariga que vive num barco em Chelsea, na década de 1960. Entre estas duas épocas estende-se uma narrativa de amor, decadência e traição que conduz Alba até à costa de Amalfi, ao drama da guerra e à decadência da tragédia. O passado ressurge, revelando uma teia secreta de resistentes e nazis, de camponeses e condes e, no centro de tudo, uma fascinante e misteriosa mulher - a sua mãe.Alba não irá investigar apenas um homicídio: investiga igualmente uma verdade proibida, e o que descobre no passado é doloroso, mas é a porta para o seu próprio futuro.
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3 de janeiro de 2012
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25 de outubro de 2011
" Com a noite a aproximar-se rapidamente, iniciou-se uma discussão sobre o que seria mais eficaz: fazer uma perseguição imediata ou esperar até ao nascer do dia. Independentemente das diferentes opiniões, todos estavam profundamente afectados pela situação. Há algo no coração da maioria dos seres humanos que é incapaz de tolerar o sofrimento infligido a inocentes, sobretudo quando se trata de crianças. Até nas prisões mais duras há homens destroçados que são, muitas vezes, os primeiros a descarregar a sua raiva sobre aqueles que maltrataram crianças. Mesmo num mundo de relativa moralidade, fazer mal a uma criança ainda é considerado um acto absolutamente errado. Ponto Final! (...)*
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20 de outubro de 2011
A CABANA???
A cabana...após passar aquele sofrimento terrível da perda da filha, Mack entra num mundo MA.RA.VI.LHO.SO. Com Deus! Sim...com Deus! E é tão inspirador e calmante... Porque não acreditar...porque não ter fé... Que mal tem, aqueles que se apoiam em algo que não vêem... Não é isso que é ter FÉ??? Acreditar em algo que não está ao nosso alcance?*
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19 de setembro de 2011
“Mary nunca, por nunca desistiria da plantação. Isso significaria trair o seu pai e o pai dele e todos os Toliver antes deles que haviam lutado para arrancar a terra à floresta, que haviam suado e labutado, sacrificado e morrido pelos milhares de hectares que viviam para ver crescer com orgulho do seu trabalho. Jamais seria capaz de sacrificar Somerset por causa do orgulho masculino! Mas... amava Percy. Ele era um tormento constante que ela não conseguia esquecer, por muito que tentasse.”*
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24 de agosto de 2011
"Suavemente, fechei a porta da casa de banho atrás da minha mãe. Permaneci no quarto vazio, ouvindo o som da água a correr e observando os morcegos a mergulhar no escuro do lado de fora da janela.
O meu coração estava repleto de uma mágoa impregnável e duradoura. Indirectamente, o meu pai podia ter contribuído para a morte de Saffie. Se tinha sido o amante que a tinha matado. E Fleur tê-lo-ia conhecido.
Durante esses momentos, compreendi que, quando a vida em comum dos meus pais chegou ao fim, o meu pai só tinha trinta e dois anos e a minha mãe vinte e cinco. Se ele tivesse vivido, o casamento deles não teria resultado. Era impossível que resultasse.
Teríamos crescido menos dependentes dele. A minha mãe ter-se-ia apaixonado, como aconteceu mais tarde, e tê-lo-ia trocado por Fergus ou por outro homem. O meu pai ter-se-ia tornado mais promíscuo e menos cauteloso. A vida deles em comum não teria tido provavelmente um final feliz. O final feliz que tem habitado os meus pensamentos, toda a minha vida, apesar do meu amor por Fergus.
Foi preciso saber que o meu pai era homosexual para compreender isto. Mas agora, compreendendo este simples facto, sentia-me velha e cheia de remorsos.
Pensei em Jack e na desigualdade do nosso amor. Cingi o meu ventre inchado com os braços. Jack fora extremamente paciente, na esperança de que eu dissesse as palavras que significariam o meu compromisso com ele, com o nosso filho e uma vida a dois.
Pensei em Fergus, como fora terno com Fleur, esperando, porque a amava profunda e altruisticamente. Compreendi como se tinham tornado próximos, vivendo a sua vida absolutamente juntos, com toda a sua tragédia e felicidade.
Era isso que eu desejava. Desejava tudo isso com Jack. Tinha agora a certeza absoluta. A minha vida era ao lado dele e tinha de ligar-lhe a dizer-lho. Tinha a sensação de que era o meu primeiro acto verdadeiro reflectido. Era uma mulher adulta. Tinha trinta e três anos, era muito mais velha do que Fleur fora na sua vida com o meu pai.
Haveria de acarinhar sempre a recordação do meu pai porque era a minha recordação, um homem grande e belo que nos fazia guinchar de riso. Um homem que nunca envelheceria e se tornaria irritável. Um homem que era um enorme rochedo sólido e trazia felicidade onde quer que fosse. Mas era também o mesmo homem que, sabendo o que era, se casara com uma jovem bailarina e a deixara virar as costas ao seu talento, por ele, quando devia estar consciente do perigo. Sabia, sabia a que ponto ela o idolatrava em absoluto. Destroçou-lhe o coração, o pai que eu amava. Destroçou o coração da minha mãe e ela nunca usou isso como uma desculpa com ninguém. Quis que eu conservasse o pai encantador da minha infância e, ao fazê-lo, quase destroçou também o coração de Fergus, obrigando-o a assistir diariamente aos meus esforços para a punir.
Recordei como a minha avó fora dura com ela. Laura considerava Fleur fraca e irresponsável. Pergunto-me se o meu avô suspeitava. Sempre fora muito chegado a Fleur e sempre a protegera.
Saio para uma noite tão quente que o ar é como veludo nos meus braços nus. O sol deixou linhas onduladas e escarlates. Nuvens escuras, com a forma de charutos, tingidas de dourado, pairam sobre um mar que daqui se move imperceptivelmente, pequenos reflexos acendendo as ondas.
Detenho-me, apoiada na balaustrada do alpendre, consciente das minhas mãos na madeira, dos aromas transportados na noite. Flores, especiarias, o leve cheiro dos esgotos; música chinesa e uma melopeia aguda de vozes. Os fantasmas do meu pai e de Saffie parecem suspensos no agitar seco das palmeiras.
Mas o que estou verdadeiramente a pensar é na extraordinária coragem da minha mãe. O amor e lealdade a David perduraram muito para além da sua morte. Tarde de mais, sei que é possível amar duas pessoas de modos muito diferentes. Um amor não anula o outro mas faz tão parte dele como Fergus era parte da vida do meu pai e da de Fleur.
Já não tenho lágrimas mas guardo mágoa. Não posso mudar a vida da minha mãe mas posso alterar a obstinada passagem da minha. Sempre que o meu filho se mexe dentro de mim, sinto-me mais próxima de compreender Feur. Não posso ordenar os meus pensamentos nem compreender as minhas emoções numa questão de horas e sei que aquilo que sinto agora se transformará noutra coisa. Mas tem de ser algo com que eu seja capaz de viver e que seja capaz de aceitar.
Toda a minha vida desejei regressar a um tempo de segurança e felicidade, quando éramos uma verdadeira família. A minha mãe e o meu pai, eu e a Saffie. Quando o sol tropical batia mas nunca queimava. Quando as chuvas eram velozes mas nunca ninguém se afogava nos esgotos da monção. Quando eu e Saffie desenhávamos pequenas casas quadradas com janelas e um caminho no jardim com flores e os traços estilizados de uma mãe e um pai com caras felizes e sorridentes.
Foi disto que Fleur me protegeu intrepidamente toda a minha vida. Do momento em que uma pessoa se apercebe de que nada disso existe; que não passa de uma ilusão, a luz do sol e os rostos sorridentes. É o que se esconde atrás que conta.
Penso em Jack. "Não há azar", é o que ele diz sempre, como é típico dos neozelandeses, aconteça o que acontecer. "Nao há azar, querida."
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23 de agosto de 2011
A mágica caixa de uma antiga princesa inca. Escritor e fotógrafo, o pai de Frederica traz de uma das suas muitas viagens pelo mundo um presente especial. A filha adora-o, e quando os pais se separam aquela será a única recordação do pai. A menina torna-se mulher, mas será sempre ao passado que irá buscar as suas melhores memórias. É contudo quando se apaixona pela primeira vez e sente a força do amor, mas também a dor da perda, que entende o significado daquela mágica caixa com o desenho de uma borboleta. Um intenso e delicado romance a levar-nos do Chile à Cornualha. Um dos mais aplaudidos romances de Santa Montefiore.
Ramon precisa de viajar pelo mundo. Quando conheceu a mulher, Helena, ela sabia da sua paixão e seguia-o nas suas aventuras. Com o nascimento dos filhos tudo se altera. Helena fica no Chile enquanto o marido continua as suas explorações pelo mundo. A quem não parece incomodar a ausência do pai é a Frederica, a sua filha. Aguarda-o a cada viagem com igual entusiasmado, ansiosa por ouvir as suas histórias e descobertas. No regresso de mais uma das suas incursões pelo Peru, Ramon oferece à filha uma caixa com pedras incrustadas em forma de borboleta. Aquele caixa, assim conta à filha, teria pertencido a uma princesa inca... Frederica fica encantada com o presente. A distância cresceu contudo entre os pais e Helena decide regressar com os filhos à Cornualha, na Inglaterra. Frederica não se conforma. Muito ligada ao pai guarda a caixa da borboleta que ele lhe ofereceu como um dos seus mais queridos objectos. Em Inglaterra tem de se adaptar a uma nova vida, mas, já só mulher, descobre o verdadeiro segredo daquele presente. Descobrindo o amor e a perda, a jovem Frederica embarca numa viagem de auto descoberta. Ou se afunda na tristeza, ou se ergue mulher, inteira, mais forte do que nunca. História de amor, perda e transformação vivida entre a paisagem chilena as zonas rurais de Inglaterra. Depois d’ «A Árvore dos Segredos», este romance confirma Santa Montefiore como uma das mais apaixonantes romancistas da actualidade.
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1 de junho de 2011
Um Ano de Luas Cheias
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28 de abril de 2011
26 de abril de 2011
Josey Cirrini tem a certeza de apenas três coisas na vida: o Inverno é a sua estação preferida, está perdidamente apaixonada e um doce sabe muito melhor quando degustado na privacidade do seu esconderijo secreto. Enfrentando uma vida triste, o seu único consolo é a pilha de doces e romances a que se entrega todas as noites... Até que descobre que no roupeiro se esconde nada mais nada menos que Della Lee Baker. Fugindo a uma vida de má sorte, Della Lee decide ajudar Josey a mudar de vida. E, em breve, a jovem renunciará às guloseimas e descobrirá que, mesmo sem elas, a vida pode ser doce.*
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21 de abril de 2011
Num jardim escondido por trás de uma tranquila casa na mais pequena das cidades, existe uma macieira e os rumores que circulam dão conta de que dá um tipo muito especial de fruto. Neste encantador romance, Sarah Addison Allen conta a história dessa árvore encantada e das extraordinárias pessoas que dela cuidam…*
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12 de abril de 2011

" Isto é intimidade: a troca de histórias no escuro. Para mim, este acto, o acto de conversar no silêncio da noite, ilustra, mais do que qualquer outra coisa, a curiosa alquimia do companheirismo. Porque quando Filipe descreveu a braçada do pai, agarrei naquela imagem e costurei-a cuidadosamente na bainha da minha própria vida e, agora, carregarei isso comigo para todo o sempre. Enquanto for viva, e mesmo muito depois de Filipe já ter partido, a sua recordação de infância, o seu pai, o seu rio, o seu Brasil, tudo isso terá passado a fazer parte de mim, de alguma forma.30 de dezembro de 2010
Eu que Amo Tanto II
Deus - "Tenho dois medos na vida: de ficar doente, muito doente e não me poder mover, e de me sentir sozinha. São estes os meus medos. (...) O que me deixa indignada...há coisas, assim, que me deixam indignada, o ser humano havia de se ver ao espelho e perceber a beleza que pode fazer, e, num momento de crise, aparece esta gente que atira o próprio filho pela janela como vi na televisão e, assim, eu fico catatónica, indignada. De bom, eu acho que há o amor, fazer as coisas bem fazendo o bem, encontrar pessoas, e as melhores coisas da vida são de graça, né? (...) Nascer perfeito não existe, né? Mas ele é realista, sonhador, eu diria que ele é assim...uma agulha num palheiro. E eu também, né? E, geralmente, as agulhas no palheiro encontram-se. (...) Única não, mas acho que sou diferente. (...) Tenho esta tendência para me apegar e não posso, tenho de ter concentração na vida, meu deus, mas depois eu olho-o e penso que ele é muito jeitoso, meu deus, é bonito e maravilhoso e depois olho para outros casais e digo: é parecido, mas o meu ainda é melhor e depois vou-me encontrar com ele e fico toda preocupada, assim, né, tenho medo dos homens. Tenho, tenho medo dos homens porque eu não me domino às vezes, né? (...) Viver é difícil, acho que para toda a gente. Não é fácil. É bom termos um mote, haver alguma coisa em que se possa confiar. Quem não dá valor a nada não ama nada, né? (...) Já estou a proibir-me de ver porque o orkut é uma coisa muito séria. Ali fica-se a saber quem entrou, quem saiu, entramos no orkut dos outros, sabemos se alguém nos dá bola, e depois eu vou lá e descubro um monte de coisas da pessoa e vou saber quem está a publicar recadinhos para a outra pessoa e faz-me ciúmes porque quando eu namorava eu ficava a ver o orkut dele. (...) Agora parei com isso. Eu sei que o outro é o outro e que eu não o consigo controlar. Só se engana quem quer. Eu tenho domínio sobre mim própria. O outro tem a sua liberdade, o direito de ir e vir. Eu tenho de ter um pé na realidade. Há um ataque de nervos, ansiedade, nenhuma roupa que se põe fica bem, de que cor, que sapatos, põe a irmã no meio, e já me liga, namorar um tipo que fica o dia inteiro connosco é de descontrolar, meu, vamo-nos pegar, vamo-nos apegar, vou ficar a ver se ele olha para o lado, para a minha amiga, ele é um homem, percebe?! (...) Os homens, porque um homem é uma coisa boa demais. Eu perco a calma, eu amuo, fico a pensar, a pensar, e depois digo alguma coisa. Eles gostam porque adoram ver uma mulher ficar transtornada. Se ficares calminha eles não percebem. Eu consigo ser má. Há uns tipos que só funcionam no chicote, só ouvem quando os atiramos pela escada abaixo. Eu dou-lhes uns estalos senão eles começam a achar que são o máximo, com o ego super lá em cima, pensando que podem fazer tudo, parecem uns pombos a andar, tipo aquele peito rufado de penas, achando-se o máximo, sem limites, uns tontos. O meu maior defeito é esta carência que me move e me faz apegar a eles. E eu fico a desmoronar-me assim, pelos lados, deixo as coisas irem acontecendo e depois é que encaro o caos, fico confusa e, quando me dá esta confusão eu penso assim, puxa, como é que tudo chegou a isto, como é que eu consegui deixar isto chegar a este ponto, assim, as coisas, a situação, nós, sabe ??!! Meu deus, mas que absurdo!"*
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29 de dezembro de 2010
DEVOREI
Angústia - "Esta angústia não pode ser paixão. Não é amor, é uma doença, doença. Um mal de não querer ver os amigos de só querer ficar ao pé dele, de não comer. No início era lindo. Eu lembro-me. Tenho a certeza. Não havia discussões. Havia respeito, muitas gargalhadas, afecto, noites mal dormidas, até não mais."Personagem - "Não tenciono responder. Não mesmo. Além do mais, porque sei que daqui a bocadinho ele vai mandar outro recado pedindo desculpa pela agressão, vai dizer que está decepcionado comigo e depois vai declarar-se um ser humano normal que viu outra pessoa em mim, não gostou, e ficou muito zangado! (...) Os homens que escolhi eram todos narcisistas, vaidosos, imaturos, mais novos do que eu, inseguros e lindos, todos eles. Todos me usaram, todos abusaram de mim, todos se acomodaram e me mentiram e traíram. Eu a humilhar-me, esperando um telefonema, prato pronto na mão, café na cama, com pena de mim própria na minha tolerância elástica. Minto. Tive um namorado perfeito, um tipo espectacular que me entendia, que me dava liberdade, que era tudo de bom e que eu aguentei por um ano e meio, nem um minuto a mais. Melga, grande melga, um relacionamento sem adrenalina, chato, pegajoso, boa onda, boa conversa, nenhuma discussão, sempre disponível, vade retro. Obriguei-me a ele como se não tivesse em mim a perversidade. (...) É muito louco, mas só agora consigo identificar a patologia como se não fosse comigo, como uma entidade desprendida de mim mesma. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito quilos perdidos, e depois não choro mais. Às vezes dá-me preguiça, mas tenho uma árdua jornada a encarar pela frente. Tenho de mudar tudo em mim. Tudo, tudo. Há alturas nas quais... Porra meu, que seca, mas preciso descobrir do que é que EU gosto. Eu preciso de descobrir o que EU quero fazer, a minha profissão, eu preciso de me inventar. Atenção, inventar, não reinventar, pois considero que nunca existi até agora. Eu fui os outros, eu fui os homens que tive, os pais que me criaram, as amizades que logrei com os meus agrados, com as minhas personagens de conveniência, eu fui ninguém. Massa amorfa e moldável, fui tão somente o que eles queriam que eu fosse ou, pelo menos, aquilo que eu achava que eles queriam que eu fosse. Adaptei-me. Agora sou um feto, um girino, um ser em formação. Ando a viver um dia de cada vez, sem fazer planos. Ando a levar uma vida normal e até me relaciono com pessoas normais, dessas que muitos acham feias. (...) Vou-me transformar numa nova mulher! Olhe bem para mim, porque esta sou eu, repaginada!"
Expectativa - "É bem verdade que tenho um comportamento muito parecido, talvez igual, quando me encanto por alguém, por isso a situação não é nova. Sofrer, quero dizer. (...) Ora, quem sabe dos meus defeitos sou eu. Impaciente e ansiosa, tropecei muito na vida. Eu crio expectativas em relação às coisas, às pessoas, e, quando o que eu esperava não vem como deveria, lido com a frustração. (...) Para mim, o amor é entendimento, é independente do sexo, há conversa, amizade, sintonia, e eu tive tudo isso no meu casamento, mas era demasiado imatura para lidar com tanta responsabilidade. (...) Do que eu gosto mesmo é dos começos. O tempo estraga o resto e, às vezes, o resto começa muito, muito cedo. Está aqui a memória que não nos deixa mentir. (...) O meu orgulho é maior do que qualquer outro sentimento, neste instante, e preciso de dar o primeiro passo e de parar com esta mania de não conseguir ficar sozinha. O meu consolo é que ninguém é totalmente feliz! Há sempre uma situação dolorosa que se está a viver, mas que, depois de ter sido vivida, passa e só fica a lembrança, porque a dor em si vai-se embora."
Desespero - "Sou doente como uma alcoólica, como que precisa de se tratar e expurgar todos os dias as suas mágoas, temores, neuroses e expectativas, para não recair naquela droga que alivia, macia e confortável como veludo, e depois mata. (...) Eu sou aquela que se doa a cada vez que escolhe o amor. (...) Sonhos detonados: casa própria, casamento, rendição e confiança, a mulher em mim, a felicidade, tudo detonado. A minha armadilha fechando-se sobre mim mesma. E eu que só queria um grande amor. (...) Queria tanto ter ouvido: eu vou cuidar de ti e vais ficar o resto da vida comigo. Era isso que eu queria ouvir. Sou menos corajosa do que sou. Auto-destrutiva, possuo em mim uma força que me inferioriza, que me derruba. Coloco-me sempre um pouco abaixo de alguém. Sempre. É a minha postura. Procuro controlar-me. A forma sofrida de amar está a transformar-se em dúvidas existenciais. Não sei explicar o que ainda não tem explicação. Tudo o que sonho ou penso e não faço passou a uma discussão filosófica, distanciou-se do material e entrou lenta e sinuosamente nos desvãos do meu cérebro. Milhares de milhões de neurónios activos. Se amar não é entregar tudo, o que é? Analiso-me. Neste segundo. Mais. A vida pode ser leve e saudável fora destes meus muros. Preencho algumas falhas. Descubro outras. Ainda não encontrei a razão que justifica esta sensação de que me falta alguma coisa. Desde menina. Mas alguma coisa falta em mim e não sei o que é."
Reconstrução - "Apaixono-me por gente que não tem nada a ver e tenho medo da intimidade. E é muita loucura, porque eu aceito as migalhas. Se olhou para mim, e chegou aqui ao pé, acho que devo premiá-lo pela sua ousadia, e penso que gostou de mim e que me quer namorar. (...) Eu, parvinha, a acreditar na ilusão de que comigo ia ser diferente. Pois sim! (...) Digamos que estou em reconstrução. Quanto a ser feliz, acontece quando consigo fazer algo por mim. Ficar em casa num fim-de-semana, pintar as minhas unhas, sair-me bem numa prova, estar de bem comigo mesma, isto é ser feliz. (...) A minha verdadeira passagem para o mundo novo, a minha reconstrução definitiva, vai dar-se quando eu perdoar esse mesmo passado, quando eu conseguir deslizar pelas minhas memórias, caminhar comigo mesma e não me recriminar, nem me envergonhar. Eu quero o destino de um anjo! Ou de um ninja!" :)
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